Sunday, January 22, 2006

CLARO QUE É ROCK - São Paulo



Como eu cheguei meio tarde, perdi o show de várias bandas nacionais que participaram do concurso da Claro, cheguei na metade do show do Moptop. Teve várias atrações legais, não gostei muito do lance de ter dois palcos, pois dois dos melhores shows assisti de longe (Iggy Pop e Fantomas), porque queria ficar bem na frente na hora do show do Sonic Youth. Comida e bebida lá era muito caro, e bebi uma vodka que era ruim demais.

MOPTOP

Dizem que parece com os Strokes (o que não é grande coisa). Aliás achei um pouco melhor do que Strokes (o que também não é grande coisa). Enfim, uma banda chata. Nota: 1

GOOD CHARLOTTE

Puta que pariu! Good Charlotte não é só mais uma banda chata. É um novo patamar de chatice. Tem algumas bandinhas ruins por aí que pelo menos tem alguma música que gruda na sua cabeça. Pelo menos tem bandas ruins que tem personalidade de fazer alguma música memorável (mesmo que seja memorável de tão ruim), mas o Good Charlotte nem isso consegue. Eles parecem uma linha decadente que começa no Green Day (que é do caralho, muito bom), depois vai pro Blink 182 (beeeeeeeeem menos inspirado), pra desembocar no Good Charlotte. Talvez o som não tenha muito a ver, mas a atitude engraçadinha tem. No mais, era o esperado, adolescentes histéricas gritando, úteros em fase de puberdade em fúria. Parece que jogaram o set-list para a platéia que estava sendo disputado a tapa pelas fãs, até que uma delas numa atitude desesperada come o set-list (!!!). Eu não tava lá, é claro, vi pelo telão. Nota: 0

NAÇÃO ZUMBI





Não é muito a minha praia não. Eu preferia bem mais quando tinha o Chico Science. Mas também não é ruim. Lúcio Maia, o guitarrista, que estava com uma blusa da seleção da Jamaica, é um show à parte. Toca demais, e tem muitas influências boas notáveis... Jimi Hendrix, funk, psicodelia. Absurdo! A percussão também é boa, claro. As melhores músicas eram as da fase do Chico Science. "Manguetown", "Quando a Maré Encher", "Rios, pontes e overdrives"... Eu acho que falta carisma para o vocalista novo. (Também é meio covardia, comparando-se com Chico Science). Apesar de não curtir taaanto assim o som deles, tem que se elogiar a criatividade, inovação e o fato deles misturarem tradição com tecnologia. O som estava numa altura boa, dava pra ouvir bem os tambores. Nota: 6

FANTOMAS








Meu, que absurdo!!! Genial, sensacional, espetacular!!! Não botava muita fé nesse Fantômas pelo fato de ser liderado pelo Mike Patton. Nunca fui tão fã assim de Faith No More, e achei que ele não teria a manha de fazer algo tão fora do convencional. Mas o cara tem!!! Na comunidade do Fantomas no Orkut, tem um tópico lá que diz: "Participe da comunidade "Viva a hérnia de disco"". Explicando: uma banda como Fantomas fazer show em festival grande assim no Brasil é coisa rara, e eles acabaram vindo para substituir o Suicidal Tendencies porque o vocalista estava com hérnia de disco. É isso aí: "Viva a hérnia de disco!" :)
Foi um dos melhores e mais incríveis, inacreditáveis shows que eu já vi. As músicas tem misturas absurdas, indo de percussões minimalistas vanguardistas ao mais podre death metal, grindcore, em segundos, brutalmente. Supimpa!!! O baterista fica tocando alguns sons esparsos na percussão, quando de repente, Mike Patton, como um maestro louco regendo uma orquestra igualmente insana, começa a berrar como um louco, e a banda, a fazer um som pesadíssimo, estúpido!
O guitarrista, que é da banda Melvins, parece aquele personagem dos Simpsons que fica perseguindo o Bart, o Side Show Bob.
Foi realmente uma pena eu ter assistido de longe este show por estar guardando lugar para o show do Sonic Youth.
Engraçado que eu pensei que eles estavam passando o som, quando na verdade o show já tinha começado.
É algo muito experimental e inrotulável, mas ao mesmo tempo é tudo planejado. O público se dividia, enquanto alguns falavam: "nossa, mas essa porcaria não acaba não?", "aê, volta pro Faith No More, que isso é uma bosta", outros se deliciavam e ficavam hipnotizados com o som altamente instigante da banda, e entre estes estava eu. Eu não conseguia sair do lugar, estava com um sorriso de orelha a orelha, totalmente hipnotizado.
Um dos melhores momentos foi quando uma das músicas era feita quase que só de uma microfonia constante, e o Mike Patton fazendo o pessoal mover os braços como se fosse uma balada. hahahaha, sensacional! e o público até que estava interagindo bem.
E o Mike Patton falou pouco em português, mas foi engraçado: "Claro que é Fantomas".
Musicalmente, para mim, foi o melhor show da noite. Foi um daqueles shows que te dão uma alegria enorme no coração. Nota: 10

FLAMING LIPS



Visualmente falando, e em matéria de efeitos especiais, foi o melhor show do festival. O show já começa inesquecível, com o vocalista entrando dentro de uma bolha gigante e passeando por cima do público. Eles mantém aquela tradição de surpresas muito criativas em show de bandas como, por exemplo, Pink Floyd. O vocalista tem um repertório incrível de surpresas: joga serpentinas coloridas para o alto, usa luvas gigantes. Um dos momentos mais engraçados é uma jam feita com um brinquedo de criança com vários sons de bicho, a banda faz um riff, dá uma paradinha e vem o barulho de um pato: "quac!". O palco estava cheio de fãs vestidos de animais de pelúcia, foi algo lindo, como se voltássemos a infância. (Entre os jornalistas que ficavam na frente atrapalhando, estava uma gorda vestida de verde, que parecia os animais que estavam no palco. Aí eu comecei a gritar: "olha o hipopótamo", aí todo mundo começou a zoar e chamar a gorda de hipopótamo... Vou falar mais sobre ela no show do Sonic Youth). O vocalista era bem simpático. Teve uma garota que estava do meu lado, que fez um bichinho de pelúcia igual ao da capa de um dos discos dele, ele veio, todo feliz, pegar o presente, e mostrou para todos da banda, sempre sorrindo.
Musicalmente, não me chamaram muito a atenção. Apesar dos covers serem bons ("Bohemian Rapsody" do Queen e "War Pigs" do Black Sabbath), é sintomático uma banda terminar um show com um cover. Nota: pelo visual, pelos efeitos e pelas surpresas: 10, pela música: 5. Fica então, uma nota: 6,5

IGGY AND THE STOOGES






Selvagem, insano, absurdo! Talvez Iggy Pop seja o frontman mais alucinado de todos os tempos. E o foda é que ele continua sendo o mais alucinado mesmo tendo 60 anos!!! Estando em uma forma incrível e tocando sem camisa, diz que "roqueiro que faz show de camisa é porque tem vergonha da barriga". Li que uma das exigências dele foi "uma daquelas calças bem justas e bem agarradas que as brasileiras usam" (a famosa calça da gang), e ele fez o show com essa calça, que toda hora ficava exibindo seu cofrinho... hahahahaha. Chamou um monte de gente para o palco, deixando os seguranças loucos; rastejou, simulou sexo com a caixa de som. E o repertório era todo de clássicos dos Stooges. Outro show que me deixou com uma alegria muito grande no coração. Taí como os shows de rock deveriam sempre ter sido. Altamente inspirador!!! Em matéria de performance, o melhor show da noite. Nota: 10

SONIC YOUTH





PORRA!!! SOM BAIXO PRO SONIC YOUTH?!?!?!?! VAI SE FODER!!!
Uma banda que tem como uma das principais características o barulho ganha o som mais baixo do festival? Não é possível!
E aqueles jornalistas tampando a visão em algumas das melhores cenas do show, como quando o Thurston se esfregou no chão com a guitarra. Os jornalistas tinham o direito de ficar duas músicas lá na frente, e o foda que o Sonic Youth justamente começou o show com duas músicas loooooongas.
Uma das cenas que mais marcaram foi quando os jornalistas já tinham descido e só sobrou o cinegrafista que fica num carrinho. Aí o Thurston foí lá, lentamente, e começou a abraçar o cara, e depois ele agarrou a perna do cara, e ficou encoxando-a, assim como um cachorro fica roçando na perna das pessoas. É até difícil imaginar como o cinegrafista deve ter se sentido constrangido. Ele lá trabalhando e um cara de uma banda gringa começa a se esfregar na sua perna... hahahaha. Imagino que esta cena foi a responsável pelo único sorriso da Kim Gordon no show, que olhou para o marido dando uma risada como se estivesse falando: "o que vc. fez ali?"
Bom, além do show estar baixo, eles optaram por tocar várias músicas novas, que são na maioria longas, climáticas, viajantes, e também músicas mais obscuras (e mornas) de sua carreira, que não são de modo nenhum ruins, mas não agitam tanto o público (por exemplo, "Skip Tracer", "Drunken Butterfly", "Pacific Coast Highway")
Lee Ranaldo começou o show tocando teclado (!!), e cantou uma das melhores músicas do show e da carreir do Sonic Youth: "Mote"
O final, com cinco minutos de "microfonia ambient" foi lindo, mas não se compara com o final apocalíptico de "NYC Ghosts & Flower" no show do Free Jazz.
(ah, então... a gorda no show do Flaming Lips até que estava humilde, mas no show do Sonic Youth ela subiu toda cheia de pose, talvez pelo fato de termos zoado muito com ela. Enquanto ela fazia uma cara tipo "morram de inveja! eu estou aqui em cima, seus trouxas", ela toma um copo de água na cara bem certeiro. o copo até estoura e molha ela toda, e ela passa o resto do tempo sentadinha, humilde... hahahaha)
É, infelizmente, o show deles no Claro que é Rock foi meio broxante. Mas um show do Sonic Youth não tem como ser ruim. Eles são uns dos meus maiores ídolos, e isso pesa muito. Mas que o show do Free Jazz foi bem melhor, isso foi. Mais alto, mais inspirado... Nota: 7,5



NINE INCH NAILS

É... Sempre achei o Nine Inch Nails meio forçado. Um amigo meu disse que a sensação era de estar assistindo um fóssil. Li num site que eles tocaram "Hurt", mas que eu, você e Trent Reznor sabemos que a versão de Johnny Cash é melhor. Outro amigo disse que o Prodigy é o Nine Inch Nails que deu certo. Apesar da super-produção, do som e da altura do som estar ótima (por que não deixaram o som neste volume na hora do show do Sonic Youth, meu Deus?) da performance esforçada no palco, principalmente do guitarrista (que eu li em algum lugar, que numa turnê junto com o Marilyn Manson, o Marilyn Manson subiu no palco na hora do show do NIN e fez um boquete pra ele), não consigo me empolgar com o som deles. Assisti umas trÊs músicas e fui embora. Nota: 4

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