Sunday, February 05, 2006

FILME: 2046 - Os Segredos do Amor

"Você viria embora comigo?"

Um filme belíssimo, com uma fotografia e uma música impecáveis, uma obra de arte! O filme é uma inteligente e poética reflexão sobre o amor. Às vezes parece que o filme é um pouco de um exercício de estilo do diretor... Mas que exercício de estilo! Perspectivas inusitadas, mulheres orientais belíssimas, uma trilha sonora de emocionar (entre elas uma versão surpreendente da breguíssima "Besáme Mucho").
O número 2046 tem vários significados no filme, diz respeito ao ano de destino de alguns raríssimos trens que viajam no tempo, assim como o número do apartamento do hotel em que ele vive e onde se passa grande parte dos acontecimentos. (Além disso, como li numa crítica, o ano em que Hong Kong será devolvido à China. E a história do filme se passa tanto na China quanto em Hong Kong e Cingapura) Cheio de metáforas, o filme diz que 2046 é para onde as pessoas vão quando querem recuperar lembranças perdidas. O personagem principal é escritor e ele escreve uma história onde a ficção científica é usada como recurso para se falar sobre o amor. Mesmo tendo cenas futuristas, com andróides e trens futuristas, isso é feito com uam fotografia lindíssima e de uma forma altamente poética. (Não sei se este filme foi feito no ano passado, mas se foi, o fato dele não ter sido indicado para o Oscar de melhor fotografia e trilha sonora, aumenta ainda mais minha descrença nesta premiação. Enfim...)
O cinema oriental tem me surpreendido bastante. Além do exotismo, tem histórias altamente criativas e inteligentes. Um outro filme oriental, taiwanês, "Vive L'Amour", também fala do amor de uma forma inteligente, sublime e poética. Só que em termos de forma um é meio que o oposto do outro, mas ambos belíssimos. "2046" é um filme pomposo, mas sem ser entediante, pelo contrário, é um filme instigante, feito para ser contemplado e prestando-se atenção em cada pequeno detalhe... Um filme feito por um mestre, e com paixão. "Vive L'Amour" deve ter sido feito seguindo aquele tal de "Dogma 95": minimalista, não há trilha sonora, o filme é feito quase todo por grandes silêncios, e quase no final, mostra o amor de uma forma totalmente inesperada, e ao mesmo tempo que é algo rústico, é algo muito sofisticado.
Ambos os filmes começam meio "frios", e você se pergunta se vai realmente sair algo bom dali, mas eles crescem de uma tal forma, que você percebe que está diante de filmes raros de se ver por aí, frágeis ao mesmo tempo que fortes.
Há um trecho no filme em que o personagem principal diz: "Não consigo escrever um final feliz. Inclusive, eu tinha um belo final feliz em minhas mãos, mas joguei fora de uma forma inacreditável".
Mas resumindo, é um filme muito belo, inteligente e poético. Vale a pena!
Nota: 9,5

DISCOS DO CORAÇÃO - Nº 1 - Five Stars - "Samoan Style"

A Oceania é um dos lugares do mundo que mais me despertam a curiosidade. Mas não falo da Austrália e da Nova Zelândia, mas sim daqueles minúsculos países que são constituídos de pequenas ilhas e cuja população de todos países somadas não deva chegar à população da cidade de São Paulo. Tuvalu, por exemplo, tem pouco mais de 20km², e uma curiosidade, é que ele corre o risco de sumir do mapa, por causa do aquecimento global, e de sua altitude média ser de 5 metros acima do nível do mar. A Nova Zelândia já aceitou em abrigar sua população inteira, ou seja, 11.000 tuvalenses. Tonga, impressionantemente, sempre foi um reino, ao contrário da maioria dos outros que foram colônias, predominantemente inglesas.
Mas entre todos estes países, a Samoa é um dos que eu mais tenho vontade de conhecer. Antigamente no Soulseek (programa de troca de mp3s pela internet), não havia restrição quanto ao número de pessoas nas salas de chat, hoje parece que a sala precisa ter pelo menos 20 pessoas, se não não aparece na lista; então uma vez eu entrei na sala de Samoa, que tinha 5 pessoas. Conversei com uma garota de lá, disse pra ela que ela era uma sortuda, que eu tinha muita vontade de conhecer o seu país, e que lá devia ser muito bonito. Ela disse que realmente era muito bonito. Aí perguntei para ela sobre as bandas de seu país, e ela disse que ela adorava esse Five Stars. Conversamos mais um tempo e tal. Naquele dia só tinha conseguido baixar 5 das músicas do disco, uma coletânea. Aliás, é surpreendente que a internet tenha chegado naquele minúsculo país. Nunca mais a vi on-line, então me contentei com aquelas cinco faixas vindo de um país tão longínquo assim, guardei-as com muito carinho e gravei num cd. É praticamente um EP, com um pouco menos de meia hora.
É impressionante como as músicas transmitem uma sensação de paz, alegria e tranqüilidade. (Fico imaginando se seria possível existir por exemplo, uma banda de death metal em samoa. O dia que alguém viesse com essa idéia, seus amigos diriam : "ah, deixa disso. Olha a praia que linda, que tranquilidade. Larga a mão!"). Das cinco músicas, quatro são cantadas em samoano (ou seria havaiano? será que é o mesmo idioma? mas imagino que sejam bem parecidos), e uma em inglês. Um amigo uma vez criticou o idioma deles: "pô, imagina eles falando! só tem quase vogal no alfabeto deles!", mas li em outro lugar: "como pode ser ruim um idioma que tem mais ou menos vinte palavras só para 'praia'". Mesmo sem entender uma palavra do que eles dizem nas músicas em samoano, acho lindo o jeito deles cantarem. Já ouvi algumas músicas do Havaí, mas não achei graça, são tediosas, talvez porque sejam feitas pra gringo ver. Já as músicas do Five Stars são bem inspiradas.
Não sei o nome das músicas, então vai pelos números: a primeira e a segunda lembram uma surf music bem tranqüila (não digo surf music das bandas australianas, mas sim das bandas dos anos 60, the surfaris, the tornadoes, etc.); sendo que na segunda a combinação guitarra, baixo e bateria beira a perfeição da sutileza, da tranqüilidade; a guitarra, no estilo havaiano, preenche os espaços com uma suavidade ímpar, a bateria e o baixo fazendo uma ótimo base, no meio um solo simples, com algumas viradas de bateria ótimas (impossível não sentir a brisa do mar em seu rosto... assim como naquela música "Wicked Game"). A terceira, que deve chamar "Música Maliê", é um pouco mais animada, com ótimos solos de guitarra, que levam a uma air guitar "havaiana". A quarta usa um sintetizador estranho de fundo, meio ambient, meio sirene, e tem umas percussões eletrônicas bastante datadas. A quinta, que é em inglês, tem um som de teclado antigo, bastante datado, como tem em algumas músicas do Bob Marley.
Bom, resumindo, todas as músicas são deliciosas, e quando quero me imaginar com um colar de flores naquelas distantes e paradisíacas praias, com aquelas lindas polinésias nativas dançando hula-hula, coloco estas únicas cinco e queridas faixas para tocar. Nota: 10, é claro! Esta série é para falar de meus discos preferidos, pô! :)

Sunday, January 22, 2006

CLARO QUE É ROCK - São Paulo



Como eu cheguei meio tarde, perdi o show de várias bandas nacionais que participaram do concurso da Claro, cheguei na metade do show do Moptop. Teve várias atrações legais, não gostei muito do lance de ter dois palcos, pois dois dos melhores shows assisti de longe (Iggy Pop e Fantomas), porque queria ficar bem na frente na hora do show do Sonic Youth. Comida e bebida lá era muito caro, e bebi uma vodka que era ruim demais.

MOPTOP

Dizem que parece com os Strokes (o que não é grande coisa). Aliás achei um pouco melhor do que Strokes (o que também não é grande coisa). Enfim, uma banda chata. Nota: 1

GOOD CHARLOTTE

Puta que pariu! Good Charlotte não é só mais uma banda chata. É um novo patamar de chatice. Tem algumas bandinhas ruins por aí que pelo menos tem alguma música que gruda na sua cabeça. Pelo menos tem bandas ruins que tem personalidade de fazer alguma música memorável (mesmo que seja memorável de tão ruim), mas o Good Charlotte nem isso consegue. Eles parecem uma linha decadente que começa no Green Day (que é do caralho, muito bom), depois vai pro Blink 182 (beeeeeeeeem menos inspirado), pra desembocar no Good Charlotte. Talvez o som não tenha muito a ver, mas a atitude engraçadinha tem. No mais, era o esperado, adolescentes histéricas gritando, úteros em fase de puberdade em fúria. Parece que jogaram o set-list para a platéia que estava sendo disputado a tapa pelas fãs, até que uma delas numa atitude desesperada come o set-list (!!!). Eu não tava lá, é claro, vi pelo telão. Nota: 0

NAÇÃO ZUMBI





Não é muito a minha praia não. Eu preferia bem mais quando tinha o Chico Science. Mas também não é ruim. Lúcio Maia, o guitarrista, que estava com uma blusa da seleção da Jamaica, é um show à parte. Toca demais, e tem muitas influências boas notáveis... Jimi Hendrix, funk, psicodelia. Absurdo! A percussão também é boa, claro. As melhores músicas eram as da fase do Chico Science. "Manguetown", "Quando a Maré Encher", "Rios, pontes e overdrives"... Eu acho que falta carisma para o vocalista novo. (Também é meio covardia, comparando-se com Chico Science). Apesar de não curtir taaanto assim o som deles, tem que se elogiar a criatividade, inovação e o fato deles misturarem tradição com tecnologia. O som estava numa altura boa, dava pra ouvir bem os tambores. Nota: 6

FANTOMAS








Meu, que absurdo!!! Genial, sensacional, espetacular!!! Não botava muita fé nesse Fantômas pelo fato de ser liderado pelo Mike Patton. Nunca fui tão fã assim de Faith No More, e achei que ele não teria a manha de fazer algo tão fora do convencional. Mas o cara tem!!! Na comunidade do Fantomas no Orkut, tem um tópico lá que diz: "Participe da comunidade "Viva a hérnia de disco"". Explicando: uma banda como Fantomas fazer show em festival grande assim no Brasil é coisa rara, e eles acabaram vindo para substituir o Suicidal Tendencies porque o vocalista estava com hérnia de disco. É isso aí: "Viva a hérnia de disco!" :)
Foi um dos melhores e mais incríveis, inacreditáveis shows que eu já vi. As músicas tem misturas absurdas, indo de percussões minimalistas vanguardistas ao mais podre death metal, grindcore, em segundos, brutalmente. Supimpa!!! O baterista fica tocando alguns sons esparsos na percussão, quando de repente, Mike Patton, como um maestro louco regendo uma orquestra igualmente insana, começa a berrar como um louco, e a banda, a fazer um som pesadíssimo, estúpido!
O guitarrista, que é da banda Melvins, parece aquele personagem dos Simpsons que fica perseguindo o Bart, o Side Show Bob.
Foi realmente uma pena eu ter assistido de longe este show por estar guardando lugar para o show do Sonic Youth.
Engraçado que eu pensei que eles estavam passando o som, quando na verdade o show já tinha começado.
É algo muito experimental e inrotulável, mas ao mesmo tempo é tudo planejado. O público se dividia, enquanto alguns falavam: "nossa, mas essa porcaria não acaba não?", "aê, volta pro Faith No More, que isso é uma bosta", outros se deliciavam e ficavam hipnotizados com o som altamente instigante da banda, e entre estes estava eu. Eu não conseguia sair do lugar, estava com um sorriso de orelha a orelha, totalmente hipnotizado.
Um dos melhores momentos foi quando uma das músicas era feita quase que só de uma microfonia constante, e o Mike Patton fazendo o pessoal mover os braços como se fosse uma balada. hahahaha, sensacional! e o público até que estava interagindo bem.
E o Mike Patton falou pouco em português, mas foi engraçado: "Claro que é Fantomas".
Musicalmente, para mim, foi o melhor show da noite. Foi um daqueles shows que te dão uma alegria enorme no coração. Nota: 10

FLAMING LIPS



Visualmente falando, e em matéria de efeitos especiais, foi o melhor show do festival. O show já começa inesquecível, com o vocalista entrando dentro de uma bolha gigante e passeando por cima do público. Eles mantém aquela tradição de surpresas muito criativas em show de bandas como, por exemplo, Pink Floyd. O vocalista tem um repertório incrível de surpresas: joga serpentinas coloridas para o alto, usa luvas gigantes. Um dos momentos mais engraçados é uma jam feita com um brinquedo de criança com vários sons de bicho, a banda faz um riff, dá uma paradinha e vem o barulho de um pato: "quac!". O palco estava cheio de fãs vestidos de animais de pelúcia, foi algo lindo, como se voltássemos a infância. (Entre os jornalistas que ficavam na frente atrapalhando, estava uma gorda vestida de verde, que parecia os animais que estavam no palco. Aí eu comecei a gritar: "olha o hipopótamo", aí todo mundo começou a zoar e chamar a gorda de hipopótamo... Vou falar mais sobre ela no show do Sonic Youth). O vocalista era bem simpático. Teve uma garota que estava do meu lado, que fez um bichinho de pelúcia igual ao da capa de um dos discos dele, ele veio, todo feliz, pegar o presente, e mostrou para todos da banda, sempre sorrindo.
Musicalmente, não me chamaram muito a atenção. Apesar dos covers serem bons ("Bohemian Rapsody" do Queen e "War Pigs" do Black Sabbath), é sintomático uma banda terminar um show com um cover. Nota: pelo visual, pelos efeitos e pelas surpresas: 10, pela música: 5. Fica então, uma nota: 6,5

IGGY AND THE STOOGES






Selvagem, insano, absurdo! Talvez Iggy Pop seja o frontman mais alucinado de todos os tempos. E o foda é que ele continua sendo o mais alucinado mesmo tendo 60 anos!!! Estando em uma forma incrível e tocando sem camisa, diz que "roqueiro que faz show de camisa é porque tem vergonha da barriga". Li que uma das exigências dele foi "uma daquelas calças bem justas e bem agarradas que as brasileiras usam" (a famosa calça da gang), e ele fez o show com essa calça, que toda hora ficava exibindo seu cofrinho... hahahahaha. Chamou um monte de gente para o palco, deixando os seguranças loucos; rastejou, simulou sexo com a caixa de som. E o repertório era todo de clássicos dos Stooges. Outro show que me deixou com uma alegria muito grande no coração. Taí como os shows de rock deveriam sempre ter sido. Altamente inspirador!!! Em matéria de performance, o melhor show da noite. Nota: 10

SONIC YOUTH





PORRA!!! SOM BAIXO PRO SONIC YOUTH?!?!?!?! VAI SE FODER!!!
Uma banda que tem como uma das principais características o barulho ganha o som mais baixo do festival? Não é possível!
E aqueles jornalistas tampando a visão em algumas das melhores cenas do show, como quando o Thurston se esfregou no chão com a guitarra. Os jornalistas tinham o direito de ficar duas músicas lá na frente, e o foda que o Sonic Youth justamente começou o show com duas músicas loooooongas.
Uma das cenas que mais marcaram foi quando os jornalistas já tinham descido e só sobrou o cinegrafista que fica num carrinho. Aí o Thurston foí lá, lentamente, e começou a abraçar o cara, e depois ele agarrou a perna do cara, e ficou encoxando-a, assim como um cachorro fica roçando na perna das pessoas. É até difícil imaginar como o cinegrafista deve ter se sentido constrangido. Ele lá trabalhando e um cara de uma banda gringa começa a se esfregar na sua perna... hahahaha. Imagino que esta cena foi a responsável pelo único sorriso da Kim Gordon no show, que olhou para o marido dando uma risada como se estivesse falando: "o que vc. fez ali?"
Bom, além do show estar baixo, eles optaram por tocar várias músicas novas, que são na maioria longas, climáticas, viajantes, e também músicas mais obscuras (e mornas) de sua carreira, que não são de modo nenhum ruins, mas não agitam tanto o público (por exemplo, "Skip Tracer", "Drunken Butterfly", "Pacific Coast Highway")
Lee Ranaldo começou o show tocando teclado (!!), e cantou uma das melhores músicas do show e da carreir do Sonic Youth: "Mote"
O final, com cinco minutos de "microfonia ambient" foi lindo, mas não se compara com o final apocalíptico de "NYC Ghosts & Flower" no show do Free Jazz.
(ah, então... a gorda no show do Flaming Lips até que estava humilde, mas no show do Sonic Youth ela subiu toda cheia de pose, talvez pelo fato de termos zoado muito com ela. Enquanto ela fazia uma cara tipo "morram de inveja! eu estou aqui em cima, seus trouxas", ela toma um copo de água na cara bem certeiro. o copo até estoura e molha ela toda, e ela passa o resto do tempo sentadinha, humilde... hahahaha)
É, infelizmente, o show deles no Claro que é Rock foi meio broxante. Mas um show do Sonic Youth não tem como ser ruim. Eles são uns dos meus maiores ídolos, e isso pesa muito. Mas que o show do Free Jazz foi bem melhor, isso foi. Mais alto, mais inspirado... Nota: 7,5



NINE INCH NAILS

É... Sempre achei o Nine Inch Nails meio forçado. Um amigo meu disse que a sensação era de estar assistindo um fóssil. Li num site que eles tocaram "Hurt", mas que eu, você e Trent Reznor sabemos que a versão de Johnny Cash é melhor. Outro amigo disse que o Prodigy é o Nine Inch Nails que deu certo. Apesar da super-produção, do som e da altura do som estar ótima (por que não deixaram o som neste volume na hora do show do Sonic Youth, meu Deus?) da performance esforçada no palco, principalmente do guitarrista (que eu li em algum lugar, que numa turnê junto com o Marilyn Manson, o Marilyn Manson subiu no palco na hora do show do NIN e fez um boquete pra ele), não consigo me empolgar com o som deles. Assisti umas trÊs músicas e fui embora. Nota: 4

Wednesday, January 18, 2006

"A vida sem festas é um longo caminho sem hospedaria."
(Demócrito)
Músicas Brega Politicamente Incorretas

Sidney Magal - "Se Te Agarro Com Outro Te Mato"
Infelizmente, Lindomar Castilho levou ao pé esta letra, matou a mulher e ficou uns vinte anos preso. Uma sublime introdução minimalista e com um solo muito bem colocado. Se fosse hoje, pode ser que esta música fosse proibida. Se bem que eles deixaram tocar a da Soraia recentemente

Zéu Britto - "Soraia"
Zéu Britto fez uma excelente mistura de rock pesado com brega vingativo. Foi uma grata surpresa ouvir esta música nas rádios, pois o brega é muito mal visto pelos roqueiros em geral. É a mais recente das três. Felizmente não baniram por ser politicamente incorreta. O problema é que sempre tem algum xarope com a cabeça fraca que quer levar ao pé da letra o que diz a música, e poderia passar no jornal que algum namorado ou marido traído tacou fogo na mulher por ela tê-lo traído (com outro alguém), assim como vira e mexe começam a falar que a música do Ozzy, "Suicide Solution", fez um adolescente se suicidar.

Alypyo Martins - "Vou Começar A Bater Em Mulher"
Esta música deve ser a música de cabeceira do Netinho (pô, que piada de mau gosto). Bom, acho que essa seria proibida nos dias de hoje. Alypyo Martins era da região Norte, e suas músicas geralmente são carimbós, forrós, mas essa surpreendentemente é um samba doido. A letra cita até Nelson Rodrigues, é curta e merece ser colocada na íntegra pelo seu incrível grau de falta de noção.

Vou começar a bater em mulher
Vou começar a bater em mulher

Elas adoram ser maltratadas
Elas só gamam se um dia apanhar

Se estão certas, se estão erradas
Nelson Rodrigues é quem vai nos explicar



(Bom, sugiro que leiam o conto "A Esbofeteada" de Nelson Rodrigues, presente no livro "A Vida Como Ela É". Mas para os que não vão ler, vou resumi-lo aqui:
Uma mulher chega para as amigas e conta, toda feliz, que apanhou do marido: "Ontem ele me bateu de novo. Bateu com gosto. Homem pra mim tem que ser assim, pra valer, viril!". Uma de suas amigas ouvia extasiada. Até que ela consegue o telefone do marido da amiga, e começa a fazer amizade com o rapaz. Vão conversando, até que acabam saindo. Só que ela estranhou que ele não bateu nela, no que ela pergunta: "ué, por que você não me bateu". E ele: "simples, não te bati porque eu te amo". Então, para ter razão para apanhar, ela começa a humilhá-lo, começa a sair com outros caras. E nada de apanhar. Então começa a provocar e dançar com outros homens na frente dele. Até que um dia numa festa, ela dançando com outro homem, ela o leva para fora da casa, ele os segue, vê os dois se beijando violentamente deitados no jardim. Então ele, fora de si, xinga-a de vagabunda e desfere uma bofetada certeira em seu rosto. E ela em êxtase, lhe diz: "você não sabe por quanto tempo eu esperei por essa bofetada. bate mais!". Desde aquele dia, de vez em quando, ele lhe dá alguns tapas. E viveram muito felizes.)

Friday, December 09, 2005

VÁRIAS COISAS

Eu já não ia com a cara da Pitty, depois daquela música que tinha como verso "não deixe nada pra semana que vem / porque semana que vem pode nem chegar", passei a odiar. Bom, mas outro dia estava ouvindo rádio e uma introdução de baixo de uma música me chamou a intenção, quando percebi que era a Pitty... puta que pariu! Ela me enganou. Mas aí deixei o preconceito de lado, e até que a música é boa, aquela "Memórias, não são só memórias". Mas é claro que não é melhor que "Só Lembranças" do Bartô Galeno.

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Mas a versão que a Pitty, Wanderléia e Rita Lee fizeram de "I Wanna Be Sedated" dos Ramones no programa da Rita Lee, me fizeram pular essa música quando eu estava ouvindo um disco do Ramones... Assassinato.

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Todos os discos do White Stripes que eu já ouvi até hoje são compostos aproximadamente de quatro músicas ótimas, quatro músicas mais ou menos e quatro músicas bem chatas. Mas como no show eles tocam mais ou menos quatro músicas de cada álbum, e eles "sabem" quais são essas quatro melhores, gostei bastante do show deles que vi no Tim Festival no Rio de Janeiro. Gostei mais de "Seven Nation Army" ao vivo do que em disco. Não tem overdubs artificiais, e o som é mais pesado e mais cru, e é tocada com um violão. Animal! Dizem que a Meg toca bateria muito mal, mas eu não acho. Gosto do jeito minimalista que ela toca.

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O show do Sonic Youth no Claro que é Rock foi muito bom, claro. Como eu sou suspeito pra falar deles, só o fato deles estarem tocando, pode ser o show que for. Mas o que mais me incomodou foi o som baixo. Porra! Uma banda que tem como um dos elementos principais o barulho tem que ter o som bem alto... Como no Free Jazz, ensurdecedor, sublime! Que eu só lamento de não ter ficado lá na frente o show inteiro. Quando estavam tocando "NYC Ghosts & Flowers", o chão tremia, uma mulher que estava na minha frente chegou a tapar os ouvidos. E eu queria que tocassem alguma do "A Thousand Leaves", mas em nenhum dos dois shows não tocaram nenhuma música desse álbum.

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Esses dias assisti um filme bem antigo do Drácula, com Bela Lugosi no papel principal. Muito bom, e muito melhor do que aquela versão mais recente, que mudaram muito a história do livro. A Mina no livro não se deixa seduzir tão fácil pelo Drácula como nesse filme mais recente. Bela Lugosi no papel principal é impecável. Vale muito a pena assistir o filme "Ed Wood", que conta a história do "pior cineasta de todos os tempos". Ele era muito fã do Bela Lugosi, e chamou-o para participar dos seus filmes. Mas é muito fácil ser fã do Bela Lugosi. Ele é tão real como vampiro, que nem parece que ele esteja atuando no filme. Bom, mas vale muito a pena ler o livro do Bram Stoker antes de assistir o filme. O filme é excelente, mas conta em 75 minutos uma história de 400 páginas. Colocaram no filme cenas excelentes do filme, como o Drácula falando, enquanto os lobos uivam, "ouça, são as crianças da noite". Mas uma cena que é bem melhor no livro é a parte onde três vampiras lindíssimas tentam seduzir o hóspede de Drácula.

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Tuesday, November 29, 2005

AMBIENTES ELEGANTES, RISOS FALSOS, CARÍCIAS FÁCEIS

Não sei quem escreveu essa pérola, mas com certeza é uma das coisas mais desesperadas que eu já ouvi na minha vida.
A música inteira é só recitada, e no acompanhamento, tem um solo de guitarra inspirado, que no final da música lembra a fase boa do Genesis.
Abaixo segue a letra para vossa degustação:

EU AINDA GOSTO DE VOCÊ

Mais uma vez estou sozinho em meu quarto
E tudo que nele existe serve apenas para provar o imenso vazio em que me encontro agora
Meu olhar percorre essas paredes e acaba se fixando como sempre, no teto branco e frio desse quarto...
que como num passe de mágica se transforma numa enorme tela
onde começam a se projetar as imagens de um passado feliz
que tive ao seu lado, e que você não soube corresponder...

o primeiro olhar, o primeiro encontro, o primeiro beijo, o calor de seu corpo
o grande amor que eu lhe dediquei, e que você friamente desprezou
aaahhh... quantos e quantos momentos de felicidade vivemos juntos

quando sugiram problemas, quando injustiças você cometeu, eu sempre soube compreender
e apesar do coração ferido, te perdoava. Sabe por que? É que eu amava muito
Sempre tive pra você um sorriso amigo, um olhar terno, os meus braços sempre abertos, para recebe-la como uma menina desprotegida, em busca de amor e carinho
E você não soube entender tudo isso...
Por que foi tão ingrata comigo?
Por que?
Eu pra você fui mais que companheiro...
Eu fui amigo, confidente, amante...
E portador de um amor tão imenso, por uma pessoa tão incompreensível como você...

Sabe, você teve a felicidade ao seu lado, tão perto...
E, no entanto, foi procurá-la em braços, que não eram seus...
Em corpos, que jamais seriam seus...
Iludida por luzes ofuscantes, perfumes, ambientes elegantes, risos falsos, carícias fáceis...
Você foi mergulhando cada vez mais, foi se precipitando num abismo sem fim onde todos riam fingindo felicidade
Onde todos te olhavam sem se ver
Onde homens lhe amavam sem sentir

Há eu sei, eu sei que você quer voltar.
Outros vieram me conta do seu arrependimento
Mais eu juro eu juro se eu pudesse arrancar do meu peito essa mágoa que me domina
Eu correria pra você como um louco, tomaria você em meus braços
E entre abraços e beijos eu a amaria loucamente

E sabe por que?
Por que eu a quero muito.
Por quer eu ainda a amo muito.
Por quer apesar de tudo:

Eu ainda gosto muito de você

Tuesday, November 08, 2005

Be Movies - Khavn - Filipinas

Este ano fui assistir apenas um filme na Mostra BR de Cinema, mas gostei e fui assistir novamente no dia seguinte. É um filme filipino de um tal de Khavn. Fiquei interessado em assistir pois gosto de cinema asiático em geral, e na sinopse ainda falava que misturava horror e humor negro.
Eram dois programas, "Be Movies 1" e "Be Movies 2".

O que eu assisti era constituído de um longa e um curta. O longa se chamava "Família que come terra unida permanece unida". Os personagens do filme são uma família em que os pais são ocidentais, provavelmente descendentes de espanhóis, e os três filhos são orientais; o filho mais novo que era pra ser um bebê, na verdade é um anão de fraldas. O filme começa com a família jantando e o anão reclamando: "eu não aguento mais, é terra no café, terra no almoço, terra no jantar; essa terra com molho de tomate é horrível".
Daí segue-se uma seqüência incrível de cenas nonsense.

Mas acho que a melhor é a cena em que a mãe da família vai apresentar um programa de televisão. Nas Filipinas se fala tanto o idioma nativo quanto o espanhol e o inglês... E no filme também são falados os três idiomas. Quando a mãe vai apresentar este programa ela fala em espanhol, o que torna a cena mais engraçada ainda. Vou colocar o texto em português, pois não domino o idioma espanhol.

E ela começa a falar: "e agora, você vai assistir o programa "Sexo, drogas e rock'n'road com a Mamma"". O programa é como se fosse um Flash do Amaury Jr., mas muito escroto. Ela entra num lugar, onde estão várias mulheres e fala, toda empolgada:
"E agora estamos entrando no melhor puteiro da cidade! Putas de todos os tipos, para todos os gostos. Se você é menor de idade, estudante, é só trazer o comprovante que você ganha um desconto. Ah, idosos também têm desconto. As garotas aqui fazem tudo: sadomasoquismo! fetiches! te abraçam como se fosse sua mãe! Elas aqui fazem o serviço muito bem feito. Olha aquela ali, provavelmente ela veio de um serviço muito bem feito". E mostra uma mulher durmindo sentada, acabada.
Aí depois ela vai pra um salão onde o pessoal está jogando bilhar e vai falando: "E agora, nós vamos para
o salão das drogas. Isso aqui apenas parece um salão de bilhar, mas as pessoas aqui vivem e respiram drogas. Esse aqui é um viciado, aquele é um traficante."
E a mulher não pára de falar, aí até as legendas começam a zoar com ela. "Eu sou uma vaca! Bla, bla, bla, bla".

E seguem outras ótimas cenas, com muito humor negro, como a cena da briga de galos com música de circo.

É interessante notar que nas Filipinas as influências orientais e ocidentais estão bem misturadas. O filme não tem aquele "estilão" asiático, mas também não tem o estilo ocidental. É bem estranho, por exemplo, ver que um dos atores orientais se chama Gil Mendonza.

Ah, o diretor Khavn é músico também, a música de encerramento que é dele, inclusive, é muito boa, começa ele falando "lupa lupa lupa lupa lupa" (terra em filipino), e vai falando, entre outras coisas, "terra pra mim, terra pra você, terra de dia, terra de noite", mas além disso tem um ritmo ótimo e tem uma hora que o cara começa a berrar.

Depois eu comento sobre o curta que passou depois e que também foi excelente.
mas se um dia eu chegar MUITO LOUCO...


um dos passatempos preferidos nossos aqui no trampo é lembrar de pérolas que tocavam nas rádios AM na década de 80. quem se lembra dessa? teve um cara aqui do trampo, Roger, que disse: "nossa! mas essa é uma das músicas mais pipi muxo daquela época"

tecladinhos xoxos, letra que vai de nada a lugar nenhum, vozinha fina cantando "cuida bem de mim"... resumindo, uma beleza!

Dalto - "Muito Estranho"




hum, mas se um dia eu chegar muito estranho
deixa essa água no corpo lembrar nosso banho
hum, mas se um dia eu chegar muito louco
deixa essa noite saber que um dia foi pouco

(com a voz bem fina)
CUIDA BEM DE MIM
então misture tudo
dentro de nós
porque ninguém vai dormir nosso sonho

hum, minha cara, pra que tantos planos?
se quero te amar e te amar e te amar muitos anos
hum, tantas vezes eu quis ficar solto
como se fosse uma lua a brincar no te rosto

(com a voz bem fina)
CUIDA BEM DE MIM
então misture tudo
dentro de nós
porque ninguém vai dormir nosso sonho

Thursday, November 03, 2005


SEU CORREIA: A LENDA, O MITO!