FILME: 2046 - Os Segredos do Amor
"Você viria embora comigo?"
Um filme belíssimo, com uma fotografia e uma música impecáveis, uma obra de arte! O filme é uma inteligente e poética reflexão sobre o amor. Às vezes parece que o filme é um pouco de um exercício de estilo do diretor... Mas que exercício de estilo! Perspectivas inusitadas, mulheres orientais belíssimas, uma trilha sonora de emocionar (entre elas uma versão surpreendente da breguíssima "Besáme Mucho").
O número 2046 tem vários significados no filme, diz respeito ao ano de destino de alguns raríssimos trens que viajam no tempo, assim como o número do apartamento do hotel em que ele vive e onde se passa grande parte dos acontecimentos. (Além disso, como li numa crítica, o ano em que Hong Kong será devolvido à China. E a história do filme se passa tanto na China quanto em Hong Kong e Cingapura) Cheio de metáforas, o filme diz que 2046 é para onde as pessoas vão quando querem recuperar lembranças perdidas. O personagem principal é escritor e ele escreve uma história onde a ficção científica é usada como recurso para se falar sobre o amor. Mesmo tendo cenas futuristas, com andróides e trens futuristas, isso é feito com uam fotografia lindíssima e de uma forma altamente poética. (Não sei se este filme foi feito no ano passado, mas se foi, o fato dele não ter sido indicado para o Oscar de melhor fotografia e trilha sonora, aumenta ainda mais minha descrença nesta premiação. Enfim...)
O cinema oriental tem me surpreendido bastante. Além do exotismo, tem histórias altamente criativas e inteligentes. Um outro filme oriental, taiwanês, "Vive L'Amour", também fala do amor de uma forma inteligente, sublime e poética. Só que em termos de forma um é meio que o oposto do outro, mas ambos belíssimos. "2046" é um filme pomposo, mas sem ser entediante, pelo contrário, é um filme instigante, feito para ser contemplado e prestando-se atenção em cada pequeno detalhe... Um filme feito por um mestre, e com paixão. "Vive L'Amour" deve ter sido feito seguindo aquele tal de "Dogma 95": minimalista, não há trilha sonora, o filme é feito quase todo por grandes silêncios, e quase no final, mostra o amor de uma forma totalmente inesperada, e ao mesmo tempo que é algo rústico, é algo muito sofisticado.
Ambos os filmes começam meio "frios", e você se pergunta se vai realmente sair algo bom dali, mas eles crescem de uma tal forma, que você percebe que está diante de filmes raros de se ver por aí, frágeis ao mesmo tempo que fortes.
Há um trecho no filme em que o personagem principal diz: "Não consigo escrever um final feliz. Inclusive, eu tinha um belo final feliz em minhas mãos, mas joguei fora de uma forma inacreditável".
Mas resumindo, é um filme muito belo, inteligente e poético. Vale a pena!
Nota: 9,5
DISCOS DO CORAÇÃO - Nº 1 - Five Stars - "Samoan Style"
A Oceania é um dos lugares do mundo que mais me despertam a curiosidade. Mas não falo da Austrália e da Nova Zelândia, mas sim daqueles minúsculos países que são constituídos de pequenas ilhas e cuja população de todos países somadas não deva chegar à população da cidade de São Paulo. Tuvalu, por exemplo, tem pouco mais de 20km², e uma curiosidade, é que ele corre o risco de sumir do mapa, por causa do aquecimento global, e de sua altitude média ser de 5 metros acima do nível do mar. A Nova Zelândia já aceitou em abrigar sua população inteira, ou seja, 11.000 tuvalenses. Tonga, impressionantemente, sempre foi um reino, ao contrário da maioria dos outros que foram colônias, predominantemente inglesas.
Mas entre todos estes países, a Samoa é um dos que eu mais tenho vontade de conhecer. Antigamente no Soulseek (programa de troca de mp3s pela internet), não havia restrição quanto ao número de pessoas nas salas de chat, hoje parece que a sala precisa ter pelo menos 20 pessoas, se não não aparece na lista; então uma vez eu entrei na sala de Samoa, que tinha 5 pessoas. Conversei com uma garota de lá, disse pra ela que ela era uma sortuda, que eu tinha muita vontade de conhecer o seu país, e que lá devia ser muito bonito. Ela disse que realmente era muito bonito. Aí perguntei para ela sobre as bandas de seu país, e ela disse que ela adorava esse Five Stars. Conversamos mais um tempo e tal. Naquele dia só tinha conseguido baixar 5 das músicas do disco, uma coletânea. Aliás, é surpreendente que a internet tenha chegado naquele minúsculo país. Nunca mais a vi on-line, então me contentei com aquelas cinco faixas vindo de um país tão longínquo assim, guardei-as com muito carinho e gravei num cd. É praticamente um EP, com um pouco menos de meia hora.
É impressionante como as músicas transmitem uma sensação de paz, alegria e tranqüilidade. (Fico imaginando se seria possível existir por exemplo, uma banda de death metal em samoa. O dia que alguém viesse com essa idéia, seus amigos diriam : "ah, deixa disso. Olha a praia que linda, que tranquilidade. Larga a mão!"). Das cinco músicas, quatro são cantadas em samoano (ou seria havaiano? será que é o mesmo idioma? mas imagino que sejam bem parecidos), e uma em inglês. Um amigo uma vez criticou o idioma deles: "pô, imagina eles falando! só tem quase vogal no alfabeto deles!", mas li em outro lugar: "como pode ser ruim um idioma que tem mais ou menos vinte palavras só para 'praia'". Mesmo sem entender uma palavra do que eles dizem nas músicas em samoano, acho lindo o jeito deles cantarem. Já ouvi algumas músicas do Havaí, mas não achei graça, são tediosas, talvez porque sejam feitas pra gringo ver. Já as músicas do Five Stars são bem inspiradas.
Não sei o nome das músicas, então vai pelos números: a primeira e a segunda lembram uma surf music bem tranqüila (não digo surf music das bandas australianas, mas sim das bandas dos anos 60, the surfaris, the tornadoes, etc.); sendo que na segunda a combinação guitarra, baixo e bateria beira a perfeição da sutileza, da tranqüilidade; a guitarra, no estilo havaiano, preenche os espaços com uma suavidade ímpar, a bateria e o baixo fazendo uma ótimo base, no meio um solo simples, com algumas viradas de bateria ótimas (impossível não sentir a brisa do mar em seu rosto... assim como naquela música "Wicked Game"). A terceira, que deve chamar "Música Maliê", é um pouco mais animada, com ótimos solos de guitarra, que levam a uma air guitar "havaiana". A quarta usa um sintetizador estranho de fundo, meio ambient, meio sirene, e tem umas percussões eletrônicas bastante datadas. A quinta, que é em inglês, tem um som de teclado antigo, bastante datado, como tem em algumas músicas do Bob Marley.
Bom, resumindo, todas as músicas são deliciosas, e quando quero me imaginar com um colar de flores naquelas distantes e paradisíacas praias, com aquelas lindas polinésias nativas dançando hula-hula, coloco estas únicas cinco e queridas faixas para tocar. Nota: 10, é claro! Esta série é para falar de meus discos preferidos, pô! :)
"Você viria embora comigo?"
Um filme belíssimo, com uma fotografia e uma música impecáveis, uma obra de arte! O filme é uma inteligente e poética reflexão sobre o amor. Às vezes parece que o filme é um pouco de um exercício de estilo do diretor... Mas que exercício de estilo! Perspectivas inusitadas, mulheres orientais belíssimas, uma trilha sonora de emocionar (entre elas uma versão surpreendente da breguíssima "Besáme Mucho").
O número 2046 tem vários significados no filme, diz respeito ao ano de destino de alguns raríssimos trens que viajam no tempo, assim como o número do apartamento do hotel em que ele vive e onde se passa grande parte dos acontecimentos. (Além disso, como li numa crítica, o ano em que Hong Kong será devolvido à China. E a história do filme se passa tanto na China quanto em Hong Kong e Cingapura) Cheio de metáforas, o filme diz que 2046 é para onde as pessoas vão quando querem recuperar lembranças perdidas. O personagem principal é escritor e ele escreve uma história onde a ficção científica é usada como recurso para se falar sobre o amor. Mesmo tendo cenas futuristas, com andróides e trens futuristas, isso é feito com uam fotografia lindíssima e de uma forma altamente poética. (Não sei se este filme foi feito no ano passado, mas se foi, o fato dele não ter sido indicado para o Oscar de melhor fotografia e trilha sonora, aumenta ainda mais minha descrença nesta premiação. Enfim...)
O cinema oriental tem me surpreendido bastante. Além do exotismo, tem histórias altamente criativas e inteligentes. Um outro filme oriental, taiwanês, "Vive L'Amour", também fala do amor de uma forma inteligente, sublime e poética. Só que em termos de forma um é meio que o oposto do outro, mas ambos belíssimos. "2046" é um filme pomposo, mas sem ser entediante, pelo contrário, é um filme instigante, feito para ser contemplado e prestando-se atenção em cada pequeno detalhe... Um filme feito por um mestre, e com paixão. "Vive L'Amour" deve ter sido feito seguindo aquele tal de "Dogma 95": minimalista, não há trilha sonora, o filme é feito quase todo por grandes silêncios, e quase no final, mostra o amor de uma forma totalmente inesperada, e ao mesmo tempo que é algo rústico, é algo muito sofisticado.
Ambos os filmes começam meio "frios", e você se pergunta se vai realmente sair algo bom dali, mas eles crescem de uma tal forma, que você percebe que está diante de filmes raros de se ver por aí, frágeis ao mesmo tempo que fortes.
Há um trecho no filme em que o personagem principal diz: "Não consigo escrever um final feliz. Inclusive, eu tinha um belo final feliz em minhas mãos, mas joguei fora de uma forma inacreditável".
Mas resumindo, é um filme muito belo, inteligente e poético. Vale a pena!
Nota: 9,5
DISCOS DO CORAÇÃO - Nº 1 - Five Stars - "Samoan Style"
A Oceania é um dos lugares do mundo que mais me despertam a curiosidade. Mas não falo da Austrália e da Nova Zelândia, mas sim daqueles minúsculos países que são constituídos de pequenas ilhas e cuja população de todos países somadas não deva chegar à população da cidade de São Paulo. Tuvalu, por exemplo, tem pouco mais de 20km², e uma curiosidade, é que ele corre o risco de sumir do mapa, por causa do aquecimento global, e de sua altitude média ser de 5 metros acima do nível do mar. A Nova Zelândia já aceitou em abrigar sua população inteira, ou seja, 11.000 tuvalenses. Tonga, impressionantemente, sempre foi um reino, ao contrário da maioria dos outros que foram colônias, predominantemente inglesas.
Mas entre todos estes países, a Samoa é um dos que eu mais tenho vontade de conhecer. Antigamente no Soulseek (programa de troca de mp3s pela internet), não havia restrição quanto ao número de pessoas nas salas de chat, hoje parece que a sala precisa ter pelo menos 20 pessoas, se não não aparece na lista; então uma vez eu entrei na sala de Samoa, que tinha 5 pessoas. Conversei com uma garota de lá, disse pra ela que ela era uma sortuda, que eu tinha muita vontade de conhecer o seu país, e que lá devia ser muito bonito. Ela disse que realmente era muito bonito. Aí perguntei para ela sobre as bandas de seu país, e ela disse que ela adorava esse Five Stars. Conversamos mais um tempo e tal. Naquele dia só tinha conseguido baixar 5 das músicas do disco, uma coletânea. Aliás, é surpreendente que a internet tenha chegado naquele minúsculo país. Nunca mais a vi on-line, então me contentei com aquelas cinco faixas vindo de um país tão longínquo assim, guardei-as com muito carinho e gravei num cd. É praticamente um EP, com um pouco menos de meia hora.
É impressionante como as músicas transmitem uma sensação de paz, alegria e tranqüilidade. (Fico imaginando se seria possível existir por exemplo, uma banda de death metal em samoa. O dia que alguém viesse com essa idéia, seus amigos diriam : "ah, deixa disso. Olha a praia que linda, que tranquilidade. Larga a mão!"). Das cinco músicas, quatro são cantadas em samoano (ou seria havaiano? será que é o mesmo idioma? mas imagino que sejam bem parecidos), e uma em inglês. Um amigo uma vez criticou o idioma deles: "pô, imagina eles falando! só tem quase vogal no alfabeto deles!", mas li em outro lugar: "como pode ser ruim um idioma que tem mais ou menos vinte palavras só para 'praia'". Mesmo sem entender uma palavra do que eles dizem nas músicas em samoano, acho lindo o jeito deles cantarem. Já ouvi algumas músicas do Havaí, mas não achei graça, são tediosas, talvez porque sejam feitas pra gringo ver. Já as músicas do Five Stars são bem inspiradas.
Não sei o nome das músicas, então vai pelos números: a primeira e a segunda lembram uma surf music bem tranqüila (não digo surf music das bandas australianas, mas sim das bandas dos anos 60, the surfaris, the tornadoes, etc.); sendo que na segunda a combinação guitarra, baixo e bateria beira a perfeição da sutileza, da tranqüilidade; a guitarra, no estilo havaiano, preenche os espaços com uma suavidade ímpar, a bateria e o baixo fazendo uma ótimo base, no meio um solo simples, com algumas viradas de bateria ótimas (impossível não sentir a brisa do mar em seu rosto... assim como naquela música "Wicked Game"). A terceira, que deve chamar "Música Maliê", é um pouco mais animada, com ótimos solos de guitarra, que levam a uma air guitar "havaiana". A quarta usa um sintetizador estranho de fundo, meio ambient, meio sirene, e tem umas percussões eletrônicas bastante datadas. A quinta, que é em inglês, tem um som de teclado antigo, bastante datado, como tem em algumas músicas do Bob Marley.
Bom, resumindo, todas as músicas são deliciosas, e quando quero me imaginar com um colar de flores naquelas distantes e paradisíacas praias, com aquelas lindas polinésias nativas dançando hula-hula, coloco estas únicas cinco e queridas faixas para tocar. Nota: 10, é claro! Esta série é para falar de meus discos preferidos, pô! :)











